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COLETA DE LÍQUOR EM EQUINOS EM ESTAÇÃO GUIADA POR ULTRASSONOGRAFIA

COLETA DE LÍQUOR EM EQUINOS EM ESTAÇÃO GUIADA POR ULTRASSONOGRAFIA
As afecções neurológicas em equinos são de ocorrência comum, sendo o estabelecimento de diagnóstico definitivo um desafio. A coleta e interpretação do líquido céfalo-raquidiano (LCR) é uma das ferramentas de diagnóstico auxiliares sendo indicada frequentemente. A interpretação dos resultados da análise do LCR pode fornecer, além do diagnóstico, um meio de monitorar a resposta ao tratamento instituído. Infelizmente a realização do procedimento não segue o mesmo ritmo da indicação em virtude de apresentar certo requerimento técnico para sua execução, possíveis complicações clínicas relevantes e por vezes apresentar alterações inespecíficas. 
A principal forma (tradicional) de coleta de LCR em equinos se faz através da centese da cisterna lombo-sacra (LS). Tal procedimento pode ser realizado com o animal em posição quadrupedal (sob sedação) ou em decúbito lateral (em anestesia geral). Esse acesso apresenta algumas dificuldades, especialmente em animais com porte avantajado (obesos, musculosos) em virtude da dificuldade da localização das estruturas anatômicas de referência e ser necessário a utilização de agulhas com comprimentos superiores a 15 cm. Essa necessidade, eventualmente, promove certo erro de alinhamento para a penetração da cisterna aumentado a possibilidade de contaminação da amostra. Além disso, alguns animais podem apresentar reações violentas no momento de acesso podendo proporcionar trauma ao profissional, paciente e até mesmo a quebra da agulha.
Outras formas de aquisição de amostras seriam através da centese da cisterna cerebro-medular (espaço atlanto-occipital) e através do espaço atlanto-axial, porém exige mais cautela na sua realização por apresentar maior risco de trauma iatrogênico medular, sendo normalmente realizada sob anestesia geral. Além disso, esse acesso é contra-indicado para animais com suspeita de aumento de pressão de liquor. O emprego da coleta guiada por ultrassonografia proporciona redução do risco de trauma, acesso preciso, menor incidência de contaminação da amostra, além de torna-se um procedimento mais rápido e passível de ser realizado em posição quadrupedal sob sedação (IMAGES 1, 2 e 3).
IMAGEM 1: seta azul indica espaço subaracnóide, seta amarela indica canal medular
IMAGEM 2: Delimitação da distância da pele até o espaço subaracnóide.

IMAGEM 3: Mostra a obtenção do líquido.

Em resumo, desde que realizada adequadamente, a coleta de LCR é um procedimento seguro que pode oferecer ao clínico informações adicionais. A interpretação dos resultados da análise do LCR quando utilizada no contexto geral, associada ao histórico, exame físico e neurológico funcional e outras avaliações, pode auxiliar no estabelecimento do diagnóstico, prognóstico, bem como escolha terapêutica e resposta ao tratamento.



Postado Por Equivet

Equivet
Hospital Veterinário 24 horas em Indaiatuba.

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